O Rembrandt

SCROLL

Um carro vermelho estacionado no meio da estrada. Dois homens. As portas que devem ser fechadas depois de abertas. Não eles. Sol radiante. Uma brisa. Ainda assim, o cheiro de algum mar distante vindo do banco de trás da viatura. E o sonho por se fazer.


-Já te perguntei duas vezes, não vou perguntar de novo. Vais fazer o que te pedi?

Antes de ir mais longe, é preciso explicar a situação. Estão dois homens em cena e eencontram-se no meio de uma estrada qualquer. Um carro vermelho com as portas abertas. Algumas árvores circundantes e um céu azul por cima. O sol cheio de luz e uma brisa a passear. Os verdadeiros sintomas do Verão. Ainda assim, o cheiro de um mar distante vindo do banco de trás daquela viatura de grande porte. Os homens são quase da mesma altura. Mesmo que um pareça mais forte, o outro, aquele que está prestes a responder, não se importa. Não quer saber.

– Não! – acaba por dizer, sem olhar em frente.
– Como queiras. Então não me perguntes porquê!
– Não! Eu não quero saber mais nada. Não vou perguntar porquê.
– Então, eu vou fazê-lo. E vais ver. Vou roubá-lo, sozinho!

O primeiro homem entra no carro. Esquece-se de fechar a porta do lado do passageiro e arranca. Porta que acaba por se fechar ao longe, ao pronunciar a primeira curva. O outro começa a caminhar na direcção oposta. Mãos nos bolsos. A agitar-se com a felicidade adquirida, na recompensa da melhor decisão. Está finalmente livre. Não vai ver coisa nenhuma. Vai deixar-se ir. E a partir de agora só vai sonhar com o mar. O seu.