O Fadista

Talvez aconteça com todos. O desespero também é capaz de ajudar. Não estamos realmente prontos para a mudança. É como ter um filho, só damos conta disso quando chegamos lá. Quando a nova vida existe e o mundo se abre para um novo patamar, sem retorno. Mesmo que nos contem não sabemos como é. Sim, podemos imaginar, mas não é a mesma coisa. E a partir daí, é sempre para a frente. Sem medo.

Não sejas estúpido Lime + Purple

É preciso dizer-lhes, não vão eles pensar outra coisa. Já se sabe como esta terra é. Falar mal, é desporto olímpico. Mais ainda se vai a tempo. É preciso correr. É só colocar esta carta no correio. Chega num instantinho.

Das coisas que me esqueço

Por uma vez, queria entrar. Queria que o flagelo da noite deixasse de crepitar e me levitasse com ele. Entro pela janela. Olho em redor. As coisas pequenas ficaram. As grandiosas desapareceram.

Retratos da vida de um homem armado

Os pormenores são irrelevantes. A encomenda chega a casa sem qualquer nome e sem remetente. Traz a arma, o dinheiro, o local e a hora onde tudo vai acontecer. Só isso. Mais nada. Parece que foi alguém que a trouxe? Não, não foi. Não foi ninguém. Apareceu ali e faz-se o que se tem a fazer.

Viagem para lá Lime + Purple

Alguém disse que existia um anúncio que procurava um homem distinto. Um homem que congregasse os outros homens. Tudo isso com um ordenado sério, com contracto a tempo inteiro e perspectiva de reforma. Um chamamento para o futuro, em forma de mentor. Acelera mas não saí da estrada.

O Escritor [1ª parte]

Disse-o noutra língua que não conhece como devia conhecer. Disse-o nas palavras que sabia dizer, que não eram muitas. Talvez cinquenta, talvez mais. Os óculos escuros abandonados na mesa, o bule de chá a chegar de imediato.

Correspondência do Sr. Joid #1 [vários remetentes]

Rascunhos, cartas, postais, bilhetes em suportes vários. Cismas electrónicas, também. Foram em catadupa e de muitas origens. Linhas que se intrometeram na vida e que a transformaram, abrindo-lhe novos horizontes. E é assim que o mundo roda. Hoje estamos cá, amanhã já não estamos. Alguém ficará.

Cheira a Nirvana

História inspirada no oceanário psíquico de David Bowie. No seu meio-irmão esquizofrénico, Terry Burns, e principalmente na canção The Bewlay Brothers, figura ilusória no espírito do cantor inglês, árdua de decifrar, mas que se pode colar aos antagonismos do irmão e à sua relação mútua. Aos tropeções, encontram-se alguns “cães de diamante”. Não mordam.

Dois dedos de conversa

Desterro. Princípio da tarde. Ou perto da madrugada. Até nunca mais acabar. Está bem, acabou. Mas não foi de noite, nem de manhã. Foi quando o vieram buscar. E isso não foi há tanto tempo assim.

Romance histórico [versão original]

Esta é uma história perdida, que foi ficando na gaveta e que moveu outras vontades. Os nomes já foram outros. Mas os nomes não têm importância afinal, por pertencerem a gente desconhecida e ficcional. Agora tudo se levante e chega no formato original, assim como foi escrito, sem mais despistes.