Não sejas estúpido Lime + Purple

É preciso dizer-lhes, não vão eles pensar outra coisa. Já se sabe como esta terra é. Falar mal, é desporto olímpico. Mais ainda se vai a tempo. É preciso correr. É só colocar esta carta no correio. Chega num instantinho.

O Escritor [1ª parte]

Disse-o noutra língua que não conhece como devia conhecer. Disse-o nas palavras que sabia dizer, que não eram muitas. Talvez cinquenta, talvez mais. Os óculos escuros abandonados na mesa, o bule de chá a chegar de imediato.

Correspondência do Sr. Joid #1 [vários remetentes]

Rascunhos, cartas, postais, bilhetes em suportes vários. Cismas electrónicas, também. Foram em catadupa e de muitas origens. Linhas que se intrometeram na vida e que a transformaram, abrindo-lhe novos horizontes. E é assim que o mundo roda. Hoje estamos cá, amanhã já não estamos. Alguém ficará.

Sociedade protectora

Chegam de todo o lado do país, vêm em trânsito para outro lugar que não conhecem nem conseguem encontrar, por isso vêm em protesto. Querem mais. Gritam, vociferam e saltam. Andam à porrada. E eu, que por engano me cruzei com eles na mesma frase, levo com a autoridade em cima. Porque também lhes dou trabalho à vista. E daí até começar a correr foi um ápice.

E ali estava ela

Não, não ia olhar para trás. Não queria saber de mais nada. Nem conseguia ouvir o que quer que fosse. E naquela altura só a sintonizei por engano. Estava prestes a sair fora do seu alcance. Da sua rede. A minha mala vermelha na mão esquerda, o casaco por cima do braço. Até sempre!

Eufuribundo

Lá ao fundo, a trezentos metros, um trânsito intenso a aguardar no semáforo. Autocarros de dois andares e de três. E em quatro segundos a avançarem para o precipício do vulto que tinha deixado no meio da avenida. Que não via nem olhava. Porque não tinha por onde ver nem olhar. E por isso não era visto. Mas mirava de soslaio na minha direcção. A troçar de mim.

Sandocã

Já não falta muito e não há mais nada a fazer. Creio que me vou embora. O que aconteceu já foi. Teve o seu termo. Agora é tudo vão. Infiltrações. Degraus perdidos. Ruídos de fundo. Uma mordaça. Na cidade que já nada me diz e que vou abandonar. Antes que se faça tarde.

O Rembrandt

Um carro vermelho estacionado no meio da estrada. Dois homens. As portas que devem ser fechadas depois de abertas. Não eles. Sol radiante. Uma brisa. Ainda assim, o cheiro de algum mar distante vindo do banco de trás da viatura. E o sonho por se fazer.

A cor da camisola

És tuga? Tens a certeza? Deves estar a sonhar, não tens pinta nenhuma de ser tuga. Tu tens mesmo é cara de macaio. E já sabes, aqui os macaios não entram. Escusas de tentar. Nem penses. Olha que eu hoje não estou com paciência, por isso desaparece! Hey, tu aí ao lado, és tuga ou és macaio?

Para lá do meu rótulo

I was raised by who I always called my grandfather. Even if he was not my relative, he was the one who caught out of some full roaring bike, that was hanged on a tree, with my whole life upside down. That’s where I have started.

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