Viagem para lá Lime + Purple

Alguém disse que existia um anúncio que procurava um homem distinto. Um homem que congregasse os outros homens. Tudo isso com um ordenado sério, com contracto a tempo inteiro e perspectiva de reforma. Um chamamento para o futuro, em forma de mentor. Acelera mas não saí da estrada.

A descoser os lábios de uma ferida Lime + Purple

Tempo morto. Por usar. A espera por tudo aquilo que faz falta. A exactidão por preencher. Quantos dias mais? Quantas brasas por queimar a precisar de chama? Sempre a vontade e a sintonia no mesmo pranto. “E agora?”, dizes tu.

Limpo a seco Lime + Purple

Não é fácil ignificar a mole por onde explodem as ideias. Abrir o coração e mostrá-lo ao mundo. Não é só a vontade ou a falta dela. O lado para que se dorme, os devaneios que se seguem ao sonho da almofada. Os braços, as pernas. O gorro. Tudo conta, quando se fala de escrita. Quando se sente nas veias.

Sociedade protectora

Chegam de todo o lado do país, vêm em trânsito para outro lugar que não conhecem nem conseguem encontrar, por isso vêm em protesto. Querem mais. Gritam, vociferam e saltam. Andam à porrada. E eu, que por engano me cruzei com eles na mesma frase, levo com a autoridade em cima. Porque também lhes dou trabalho à vista. E daí até começar a correr foi um ápice.

Dois mil e quarenta e oito [com WKW]

Há um ponto no tempo que marca o destino. Um momento preciso. Segundo exacto em que o indivíduo, que até aí vivia o quotidiano reservado na sua lotaria, regressa ao passado. Retorna para remendar as malhas da sua história. Uma por uma até unir de novo o fio condutor que o traz de volta ao ponto de partida. Não há como evitá-lo. É um facto e está à espera de toda a humanidade. Lá mais à frente.

O urso maior Lime + Purple

Há sempre uma esperança. Em guarda. Não tão vã como isso. De uma plenitude sem retorno. Que nos espreita. Que nos vigia. Que nos alimenta o espírito. Como uma luz apagada.

Dia dois

Silvo no ar, sem distâncias. Aqui e ali. Chamo-me Tina. Mas há quem me chame apenas A. Estou aqui e quero contar o que se passa. Estejam quietos, por favor.

Exército de Kamikazes

A neve não pára de cair. As nuvens não deixam de passar. Há um céu azul por todo o lado. Ursos brancos a rodopiar. Um ambiente espiritual de último grau. Uma cena de fim de tarde numa terra santa. Não se sabe se é um telefonema ou uma forma de pensar, de ligar à consciência. Que quer dizer a água em flocos, alguém consegue explicar? Um chamamento divino? Ou será apenas a bateria a ficar fraca?

Por favor não chames o meu nome

Talvez isto seja apenas sobre os ventos Caleej e Solano. Os poderosos ventos da Terra. Que sopram. Que deitam abaixo. Todas as criaturas vivas. Todas as cidades. Todas as pilhas de lenha. E empoeiram a luz de escuro. Que nem o anoitecer pode contar.

Mulheres tããão violentas

Ainda queres a cama? Já vem a caminho. Fui eu que a fiz. Espera tenho uma nova surpresa. Estava só à espera de uma oportunidade para dizer. Deixas-me falar? Ou não é preciso? Posso fazer tudo por gestos. É mais giro. E grito, também. Sem falar. Posso? É tudo assim, sem fôlego.

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