Declaração Escritos medievais, digestões e pertença

Sou maior de idade e faço declarações. É certo que nasci a trinta e cinco de Abril, em parte incerta, e tenho um estado civil duvidoso, mas já tenho condição para dizer o que penso. Profissão? Alguma, ando de um lado para o outro, faço o que me pedem e às vezes o que não me pedem. Tenho carta de condução e livre e espontânea vontade. Mais alguma coisa?

Os números da taluda

Daqui a uns anos. Talvez cem, talvez mil. Quem sabe mais. O mundo vai dar uma volta. E esta coisa que o habita, com estas máquinas que usa, vai misturar-se numa unidade só, funcionando em parceria e sem mais quebras. Sem mais atrasos. E depois? Depois tudo passa lá para dentro, para o interior, e não é preciso mais nada. Este é um texto premonitório de uma memória que absorve tudo. A memória indulgente.

E ali estava ela

Não, não ia olhar para trás. Não queria saber de mais nada. Nem conseguia ouvir o que quer que fosse. E naquela altura só a sintonizei por engano. Estava prestes a sair fora do seu alcance. Da sua rede. A minha mala vermelha na mão esquerda, o casaco por cima do braço. Até sempre!

Pin It on Pinterest