O Escritor [1ª parte]

Disse-o noutra língua que não conhece como devia conhecer. Disse-o nas palavras que sabia dizer, que não eram muitas. Talvez cinquenta, talvez mais. Os óculos escuros abandonados na mesa, o bule de chá a chegar de imediato.

Limpo a seco Lime + Purple

Não é fácil ignificar a mole por onde explodem as ideias. Abrir o coração e mostrá-lo ao mundo. Não é só a vontade ou a falta dela. O lado para que se dorme, os devaneios que se seguem ao sonho da almofada. Os braços, as pernas. O gorro. Tudo conta, quando se fala de escrita. Quando se sente nas veias.

Língua portuguesa [versão estendida]

De Lourmarin a Paris são 700 quilómetros e Albert Camus já comprou um bilhete de comboio de Avignon para a capital. Mas o seu editor insiste para que vá com ele na sua coqueluche fabricada em França com um motor americano V8 de 360 cavalos. Com o escritor, a mulher e a filha do célebre Gallimard. Pelo caminho várias paragens em restaurantes com estrelas Michelin. Mas esta não é a história. O que aqui se trata é de um choque frontal, entre duas línguas.

Sofrer por não estar perto

A esta luz etimológica, a nostalgia aparece como o sofrimento da ignorância. Tu estás longe, e eu não sei o que te acontece. O meu país está longe, e não sei o que lá se passa. Certas línguas têm algumas dificuldades com a nostalgia. Uns não a usam outros preferem dizer outra coisa.

Afinal há quem escreva ao Coronel *

Procurei ver a tua cara na cara dos outros. Essa nação despovoada. Desmultiplicando a face de toda a gente ou somando-as uma a uma. Para te encontrar. Macaenses, é o que o verbo dita. O ser que faz a terra. Esse imenso compromisso. Que nada traz de concreto.

Se cá não estivesse o mundo seria um lugar muito mais bonito

«Não gosto de números. Sou mau a matemática embora as minhas notas sejam razoáveis. Nunca serei um homem de negócios, desconfio. Por isso os meus pais não me puseram a praticar. Eu fugiria e com que é que eles ficariam?»

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