Romance histórico [versão original]

Esta é uma história perdida, que foi ficando na gaveta e que moveu outras vontades. Os nomes já foram outros. Mas os nomes não têm importância afinal, por pertencerem a gente desconhecida e ficcional. Agora tudo se levante e chega no formato original, assim como foi escrito, sem mais despistes.

A História pede sempre mais branco

Um dia, os homens de um pequeno país sentiram que o mundo era apertado e decidiram alongá-lo, esventrando o desconhecido. Atiraram-se ao mar e deixaram-se ir com os ventos, perdidos no luar das estrelas. Chegaram longe, a lugares inimagináveis, cheios de gente feita de outras matérias. Aí deixaram marca, igualando-se aos nativos em erudição.

Dois mil e quarenta e oito [com WKW]

Há um ponto no tempo que marca o destino. Um momento preciso. Segundo exacto em que o indivíduo, que até aí vivia o quotidiano reservado na sua lotaria, regressa ao passado. Retorna para remendar as malhas da sua história. Uma por uma até unir de novo o fio condutor que o traz de volta ao ponto de partida. Não há como evitá-lo. É um facto e está à espera de toda a humanidade. Lá mais à frente.

Nunca vi um Verão assim

Cheguei-me a ele, estava um calor que nunca tinha sentido, e encostámo-nos às arcadas do edifício da Santa Casa, ali bem no coração da cidade, por onde passava uma ligeira brisa. Depois de alguma espera acabou por dizer: “Nunca vais sair daqui. Ficarás nesta terra para sempre.”

Macau, o leãozinho moribundo

Eu cá dava tudo para ver uma coisa qualquer, com um palco a pingar suor e música a valer. Mas eu sou esquisito e não vou em qualquer cantiga. E olho para o lado e penso, estou doente, terei algum problema? Sou só eu? Sim, ao lado não vejo ninguém.

O radical livre

A coisa não é para menos. Estamos nos primeiros dias do ano e os rubis estão à espera. É uma longa história. De aiaineses, criptões e uinãos. Não, não queiram ler. Não é sobre o Uzbequistão, se querem saber. Nem Las Vegas. E daqui não levam nenhum segredo. Ainda se põem para aí aos tirinhos. Mas fica o aviso: Russell não é para meninos!

Cores proibidas

Não é rumba. Não é tango. Não, também não é samba, nem o twist. O que é, afinal? Uma orquestra de câmara? Um baile de salão, os loucos anos trinta? Nem canto gregoriano é. Fado também não. Bolero, mango, merengue. Nem por sombras. Mas tem cor. Escorre das paredes e ferve por entre o sangue da alma. E é isso que vale. Quase sempre.

Aqui só há uma lenda e não tem legendas

Luís Amorim morreu aos 17 anos. Vitor Silva anos antes, também jovem, em pleno dia. Também foi, igualmente sem justiça. Ambos eram portugueses. Mas não importa a nacionalidade, o que importa é que ninguém, ou quase ninguém, fez nada para tentar apurar a verdade, que por vezes vive muito distante da realidade.

A minha lista

Faltam pessoas que não falem nem chinês nem português. Que originem na sala de reuniões o bizarro enleio da tradução, mas que vivem em Macau e têm o gosto e a visão do outro lado da montanha.

Que fazer das chuvas e dos ventos?

A terra aproximou-se. O Capitão não mostra sinais de maior simpatia. Ordenou que nos transferíssemos todos para um só barco e que dos outros se fizessem chamas. Foi ele próprio que os pôs a arder. E, como se via mais afastado, acorreu, a nado, ao Manhattan, que de pronto abalroou o Cobain com tamanha panada que tornou os dois num brazeiro pegado, mais parecendo coisa do Inferno.

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