O urso maior Lime + Purple

Há sempre uma esperança. Em guarda. Não tão vã como isso. De uma plenitude sem retorno. Que nos espreita. Que nos vigia. Que nos alimenta o espírito. Como uma luz apagada.

Velouria

Nunca se começa uma história com a frase “Ia no meu BMW”. Mas isto não é literatura. Não é nada. É apenas uma aversão a uma vida com os fios entrelaçados, quase sempre trocados e sem cor definida. A matéria cinzenta, os remoinhos, as suposições, os choques. De alguém desconcertado. Por isso, é assim que este texto começa. Por aí, em roda livre. Mas não se diz, salta-se para o lado de fora. Para o esquecimento. Com o acorde Che.

Venho apenas dizer-te adeus

Matusalém, figura bíblica do Antigo Testamento, que teria sido filho de Enoque e o avô de Noé, é geralmente conhecido por ser a personagem com mais idade de toda a Bíblia, tendo vivido 969 anos, sendo que o ano de sua morte coincidiria com a ocasião do Dilúvio, o que é apenas um cálculo aritmético já que o dilúvio ocorreu quando Noé tinha 600 anos. No livro apócrifo de Enoque, Matusalém vai pedir explicações ao seu pai devido ao facto de lhe ter nascido um neto estranho e diferente de todos o que havia visto até então.

Veneno de rato

A primeira vez foi na cozinha, a abrir o frigorífico. O reluzente da luz fria por trás das coisas que se compram e que um dia esperamos comer. Uma coisa vaga que veio a tremelicar num só instante, nem deu tempo para respirar. Tu sem tirar os olhos do televisor, claro. Ainda senti um zumbido, um reluzir luminoso, os vegetais a mudarem de tom, e num pequeno “ai”… fui-me. Depois veio outro. Com o Everest, o Moisés, o meu chefe cheio de fruta e um mês nas Molucas, por cima do teu cabelo.

Olhar para um palácio

A História, mesmo turva a rolar por becos e veredas, merece sempre ser contada. Cheguei ao território de Macau há demasiado tempo. Tudo passou de repente. As caras, os factos, as viagens. O que resta é o quotidiano, que se repete a cada minuto, incessante, com a mesma cadência. Como um rosto que se adivinha na teimosia de quem não consegue deixar de olhar para um palácio.