A minha lista

Faltam pessoas que não falem nem chinês nem português. Que originem na sala de reuniões o bizarro enleio da tradução, mas que vivem em Macau e têm o gosto e a visão do outro lado da montanha.

O crime organizado

A luz chegava negra e trémula ao planalto, Cheia de indolência, a roçar a casca da minha árvore. Finalmente completo. Finalmente vazio. O Buda no sorriso dos Himalaias. A ser reconhecido. A povoar a imaginação com o aulido dos coiotes, na esperança da infinita sabedoria. Câmaras por todo o lado. Interrogatórios. Um Ulisses. Ali. Perdido da sociedade civil. Enquanto deixava de ser gente.

Amanhã submerso

A realidade existia, já tinha sido formada, mas a imagem que lhe correspondia, a verdadeira, só foi escrita na impressão do primeiro encontro. Uma rua, o caminho errado, o regresso. Depois, tudo se apaga. Um mundo novo. A voz, o olhar, os passos. E volta a escrever-se. A imagem que se risca, assim que é vista. Com novos nódulos, novas cores, novas fórmulas. Até chegar a autoridade e tomar conta da ocorrência. Mas foi assim que aconteceu.

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