O Fadista

Talvez aconteça com todos. O desespero também é capaz de ajudar. Não estamos realmente prontos para a mudança. É como ter um filho, só damos conta disso quando chegamos lá. Quando a nova vida existe e o mundo se abre para um novo patamar, sem retorno. Mesmo que nos contem não sabemos como é. Sim, podemos imaginar, mas não é a mesma coisa. E a partir daí, é sempre para a frente. Sem medo.

O urso maior Lime + Purple

Há sempre uma esperança. Em guarda. Não tão vã como isso. De uma plenitude sem retorno. Que nos espreita. Que nos vigia. Que nos alimenta o espírito. Como uma luz apagada.

Macau, o leãozinho moribundo

Eu cá dava tudo para ver uma coisa qualquer, com um palco a pingar suor e música a valer. Mas eu sou esquisito e não vou em qualquer cantiga. E olho para o lado e penso, estou doente, terei algum problema? Sou só eu? Sim, ao lado não vejo ninguém.

Sofrer por não estar perto

A esta luz etimológica, a nostalgia aparece como o sofrimento da ignorância. Tu estás longe, e eu não sei o que te acontece. O meu país está longe, e não sei o que lá se passa. Certas línguas têm algumas dificuldades com a nostalgia. Uns não a usam outros preferem dizer outra coisa.

Exército de Kamikazes

A neve não pára de cair. As nuvens não deixam de passar. Há um céu azul por todo o lado. Ursos brancos a rodopiar. Um ambiente espiritual de último grau. Uma cena de fim de tarde numa terra santa. Não se sabe se é um telefonema ou uma forma de pensar, de ligar à consciência. Que quer dizer a água em flocos, alguém consegue explicar? Um chamamento divino? Ou será apenas a bateria a ficar fraca?

Alguns cães afogados na areia

Lembro-me de passar centenas de vezes nessa velha ponte, que me deixa fluir o pensamento como ninguém. Não há nada que simbolize uma cidade como essa ligação. A ponte que constrói diariamente nas suas entranhas um rio que peca por fantasia.