O esquimó que arde de frio humano

As equipas estão dentro do campo, onze para cada lado, como sempre, duas balizas, uns homens que supostamente deveriam estar vestidos de preto mas, pelo contrário, envergam um equipamento de cores garridas. O estádio está cheio. Joga-se o encontro mais importante do ano. Mais importante para uns do que para outros.

Associação Artistas de Plástico Manifesto

Onde há dor e vontade, há também manifesto. É ele que a seu tempo constrói a força da mudança, que liga todo o engenho e o põe em marcha. Devagarinho. Sou de poucas palavras. De poucas ilusões. Mas o sangue também ferve na guelra, e não me cabe a mim vir agora para aqui tirar conclusões. Atiro, sim, o que der e vier.

Em caso de incêndio não usar o elevador

Eu gosto de experimentar, de ver, de saborear. De apreciar o corpo todo. Porque é quase sempre uma questão de corpo, não é? Mas também de olhar, sim. Também de olhar. E há os cabelos que voam. Os gemidos. Os beijos que se perdem e essas coisas todas.

Roy Batty

Roy Batty, o último Replicant para além de mim. Fomos concebidos para durar pouco. Quatro anos no máximo. Mas por alguma vertigem que me escapou da fuselagem continuo aqui. Não está cá mais ninguém. Roy foi o último a partir. Sem grito e sem dor. É dele que agora me prolongo. Perdido nesta imortalidade que me habita. Onde não há saída.

Toshiba Zoom JK-TU52H

Dionísio, o Exíguo (ou o Humilde), foi um monge do séc. VI, nascido na Cítia Menor (em 470), no que é actualmente a região da Dobruja. Membro da comuna de monges da Cítia, em Roma, e versado em matemática e em astronomia, celebrizou-se na criação de tabelas para calcular a data da Páscoa, levando ao uso do conceito de Anno Domini, o Ano do Senhor.

Exército de Kamikazes

A neve não pára de cair. As nuvens não deixam de passar. Há um céu azul por todo o lado. Ursos brancos a rodopiar. Um ambiente espiritual de último grau. Uma cena de fim de tarde numa terra santa. Não se sabe se é um telefonema ou uma forma de pensar, de ligar à consciência. Que quer dizer a água em flocos, alguém consegue explicar? Um chamamento divino? Ou será apenas a bateria a ficar fraca?

Veneno de rato

A primeira vez foi na cozinha, a abrir o frigorífico. O reluzente da luz fria por trás das coisas que se compram e que um dia esperamos comer. Uma coisa vaga que veio a tremelicar num só instante, nem deu tempo para respirar. Tu sem tirar os olhos do televisor, claro. Ainda senti um zumbido, um reluzir luminoso, os vegetais a mudarem de tom, e num pequeno “ai”… fui-me. Depois veio outro. Com o Everest, o Moisés, o meu chefe cheio de fruta e um mês nas Molucas, por cima do teu cabelo.

Por favor não chames o meu nome

Talvez isto seja apenas sobre os ventos Caleej e Solano. Os poderosos ventos da Terra. Que sopram. Que deitam abaixo. Todas as criaturas vivas. Todas as cidades. Todas as pilhas de lenha. E empoeiram a luz de escuro. Que nem o anoitecer pode contar.

Barba de três dias

O que te resta é continuar. Disfarçando a tua grande mentira e a acreditar que és o maior. Que és uma espécie de Napoleão – o melhor de todos! – e que vais salvar o mundo, à tua boa maneira. E como vais fazer isso? Dando um tiro no cosmos. Essa parte nobre do corpo.

Para lá do meu rótulo

I was raised by who I always called my grandfather. Even if he was not my relative, he was the one who caught out of some full roaring bike, that was hanged on a tree, with my whole life upside down. That’s where I have started.