Língua portuguesa [versão estendida]

De Lourmarin a Paris são 700 quilómetros e Albert Camus já comprou um bilhete de comboio de Avignon para a capital. Mas o seu editor insiste para que vá com ele na sua coqueluche fabricada em França com um motor americano V8 de 360 cavalos. Com o escritor, a mulher e a filha do célebre Gallimard. Pelo caminho várias paragens em restaurantes com estrelas Michelin. Mas esta não é a história. O que aqui se trata é de um choque frontal, entre duas línguas.

Dois mil e quarenta e oito [com WKW]

Há um ponto no tempo que marca o destino. Um momento preciso. Segundo exacto em que o indivíduo, que até aí vivia o quotidiano reservado na sua lotaria, regressa ao passado. Retorna para remendar as malhas da sua história. Uma por uma até unir de novo o fio condutor que o traz de volta ao ponto de partida. Não há como evitá-lo. É um facto e está à espera de toda a humanidade. Lá mais à frente.

Cores proibidas

Não é rumba. Não é tango. Não, também não é samba, nem o twist. O que é, afinal? Uma orquestra de câmara? Um baile de salão, os loucos anos trinta? Nem canto gregoriano é. Fado também não. Bolero, mango, merengue. Nem por sombras. Mas tem cor. Escorre das paredes e ferve por entre o sangue da alma. E é isso que vale. Quase sempre.

Roy Batty

Roy Batty, o último Replicant para além de mim. Fomos concebidos para durar pouco. Quatro anos no máximo. Mas por alguma vertigem que me escapou da fuselagem continuo aqui. Não está cá mais ninguém. Roy foi o último a partir. Sem grito e sem dor. É dele que agora me prolongo. Perdido nesta imortalidade que me habita. Onde não há saída.

Diz adeus ao que te arma

(English) The rivers know about you, because I tell them your stories. Because whenever you write I throw them your letters. Sometimes making little boats. Waiting for the long course of the water to rebel and eats, all at once, the city that cries for you. Over here.

Virgem e suicida

No balcão do check-in disseram-me que este era um lugar muito bom para mim. Tinham toda a razão. Parece que já me conheciam. “Mister Joid”, disseram eles, enquanto me ofereciam esta posição e o maior sorriso de que eram capazes. É verdade, estou rodeado de mulheres. Umas estrondosas. Outras melhores do que isso.

O crime organizado

A luz chegava negra e trémula ao planalto, Cheia de indolência, a roçar a casca da minha árvore. Finalmente completo. Finalmente vazio. O Buda no sorriso dos Himalaias. A ser reconhecido. A povoar a imaginação com o aulido dos coiotes, na esperança da infinita sabedoria. Câmaras por todo o lado. Interrogatórios. Um Ulisses. Ali. Perdido da sociedade civil. Enquanto deixava de ser gente.

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