A História pede sempre mais branco

Um dia, os homens de um pequeno país sentiram que o mundo era apertado e decidiram alongá-lo, esventrando o desconhecido. Atiraram-se ao mar e deixaram-se ir com os ventos, perdidos no luar das estrelas. Chegaram longe, a lugares inimagináveis, cheios de gente feita de outras matérias. Aí deixaram marca, igualando-se aos nativos em erudição.

O esquimó que arde de frio humano

As equipas estão dentro do campo, onze para cada lado, como sempre, duas balizas, uns homens que supostamente deveriam estar vestidos de preto mas, pelo contrário, envergam um equipamento de cores garridas. O estádio está cheio. Joga-se o encontro mais importante do ano. Mais importante para uns do que para outros.

O urso maior Lime + Purple

Há sempre uma esperança. Em guarda. Não tão vã como isso. De uma plenitude sem retorno. Que nos espreita. Que nos vigia. Que nos alimenta o espírito. Como uma luz apagada.

Pelos gritos

O solo a dez metros de outro solo. Que treme à passagem do rodado. Alcatrão, ferro, coisas armadas. O uivo de um novo bicho que rasga o pequeno horizonte. Solavancos. O redor tempestivo, das festas. E a tua mão a voar sobre elas. Por entre a minha boca aberta.

Cascos de rolha

Não contar a ninguém. Não falar. Sobre a faixa invertida. Esquecer. Perder a lembrança. Apenas o marco abstracto, aqui. E a lonjura. Como um ponto perdido. Para voltar a um qualquer início. Não, voltar não. Ir. Por um breve instante. Ao primeiro degrau. E voar.

Eufuribundo

Lá ao fundo, a trezentos metros, um trânsito intenso a aguardar no semáforo. Autocarros de dois andares e de três. E em quatro segundos a avançarem para o precipício do vulto que tinha deixado no meio da avenida. Que não via nem olhava. Porque não tinha por onde ver nem olhar. E por isso não era visto. Mas mirava de soslaio na minha direcção. A troçar de mim.

Por favor não chames o meu nome

Talvez isto seja apenas sobre os ventos Caleej e Solano. Os poderosos ventos da Terra. Que sopram. Que deitam abaixo. Todas as criaturas vivas. Todas as cidades. Todas as pilhas de lenha. E empoeiram a luz de escuro. Que nem o anoitecer pode contar.

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