Das coisas que me esqueço

Por uma vez queria entrar pela janela. Queria que o flagelo da noite deixasse de crepitar e me levitasse com ela. Entro pela janela. Olho em redor. As coisas pequenas ficaram. As grandiosas desapareceram.

Viagem para lá Lime + Purple

Alguém disse que existia um anúncio que procurava um homem distinto. Um homem que congregasse os outros homens. Tudo isso com um ordenado sério, com contracto a tempo inteiro e perspectiva de reforma. Um chamamento para o futuro, em forma de mentor. Acelera mas não saí da estrada.

Correspondência do Sr. Joid #1 [vários remetentes]

Rascunhos, cartas, postais, bilhetes em suportes vários. Cismas electrónicas, também. Foram em catadupa e de muitas origens. Linhas que se intrometeram na vida e que a transformaram, abrindo-lhe novos horizontes. E é assim que o mundo roda. Hoje estamos cá, amanhã já não estamos. Alguém ficará.

Cheira a Nirvana

História inspirada no oceanário psíquico de David Bowie. No seu meio-irmão esquizofrénico, Terry Burns, e principalmente na canção The Bewlay Brothers, figura ilusória no espírito do cantor inglês, árdua de decifrar, mas que se pode colar aos antagonismos do irmão e à sua relação mútua. Aos tropeções, encontram-se alguns “cães de diamante”. Não mordam.

Dois dedos de conversa

Desterro. Princípio da tarde. Ou perto da madrugada. Até nunca mais acabar. Está bem, acabou. Mas não foi de noite, nem de manhã. Foi quando o vieram buscar. E isso não foi há tanto tempo assim.

Romance histórico [versão original]

Esta é uma história perdida, que foi ficando na gaveta e que moveu outras vontades. Os nomes já foram outros. Mas os nomes não têm importância afinal, por pertencerem a gente desconhecida e ficcional. Agora tudo se levante e chega no formato original, assim como foi escrito, sem mais despistes.

A descoser os lábios de uma ferida Lime + Purple

Tempo morto. Por usar. A espera por tudo aquilo que faz falta. A exactidão por preencher. Quantos dias mais? Quantas brasas por queimar a precisar de chama? Sempre a vontade e a sintonia no mesmo pranto. “E agora?”, dizes tu.

A História pede sempre mais branco

Um dia, os homens de um pequeno país sentiram que o mundo era apertado e decidiram alongá-lo, esventrando o desconhecido. Atiraram-se ao mar e deixaram-se ir com os ventos, perdidos no luar das estrelas. Chegaram longe, a lugares inimagináveis, cheios de gente feita de outras matérias. Aí deixaram marca, igualando-se aos nativos em erudição.

Aversão anterior

O conhecimento bebe-se do vazio. O vazio transborda. Aniquila-se de avalanches. Dois por dois. Três por três. Quatro por quatro. Coisa assim. Negra. Mas há o primeiro. Nunca esquecer o primeiro. O ímpar que, sem cópia, não tem par. Horizontes de conhecimento e Convencimómetros™, é do que isto fala. A sério, não me peçam mais nada.

Limpo a seco Lime + Purple

Não é fácil ignificar a mole por onde explodem as ideias. Abrir o coração e mostrá-lo ao mundo. Não é só a vontade ou a falta dela. O lado para que se dorme, os devaneios que se seguem ao sonho da almofada. Os braços, as pernas. O gorro. Tudo conta, quando se fala de escrita. Quando se sente nas veias.

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